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Relação abusiva. Como saber se estou vivendo uma?

 

Quem nunca sonhou em viver um grande amor? Na literatura, no cinema, na música, no teatro, em toda produção cultural lá está ela presente, uma grande história de amor. Somos obcecados por histórias assim, e parece que quanto mais difícil de ser vivida, mais interessante, atraente e gostosa ela se torna.
 
Será mesmo? Não é assim para um grande número de pessoas, principalmente mulheres, que sofrem com relações abusivas e violentas.
 
Aprendemos conceitos sobre o amor como valores absolutos sem ao menos questiona-los, quem nunca ouviu frases do tipo:
 
“O amor suporta tudo”
“Quem ama passa por cima de qualquer coisa”
“O amor é forte”
“Nada resiste ao amor”
“O amor sempre vence no final”
 
Enfim, valores absolutos como estes fazem com que deturpamos o conceito do que é amor (tema que voltarei a falar em um outro texto), e com que corramos o risco de justificar uma cultura de aceitação da violência em nome do tal amor. Sim, isso mesmo, uma cultura de aceitação da violência!!


Reflita comigo, quantas e quantas vezes você já ouviu músicas ditas românticas que em tese falam de amor, porém com conteúdo absolutamente abusivo e até violento? E assim aprendemos, entre tapas e beijos!
Para facilitar nossa reflexão, vamos falar um pouquinho sobre as principais formas de violência.
 

Violência moral
 
Uma das mais comuns e mais difíceis de serem percebidas como violência, aliás, não vou escrever sobre, vou fazer perguntas para que você reflita, ok? Quero que você chegue a suas respostas.
Ah, tente ser a pessoa mais honesta e sincera com você mesma, não leia correndo, dê ao menos um minutinho de reflexão para cada pergunta, vença suas possíveis resistências.
 
Já se sentiu humilhada(o) por seu parceiro(a)? Isso acontece com frequência?
 
Sente-se controlada(o) por seu parceiro(a)? Não se sente livre para usar as roupas que gosta, comer o que gosta, estar com quem você deseja, ir aos lugares que você quer?
 
Já se sentiu ameaçada(o) por seu parceiro(a)? Com que frequência isto tem acontecido?
 
Já se sentiu constrangida(o), principalmente em público por seu parceiro(a)?
 
Acha que seu parceiro(a) tenta manipular você o tempo todo para conseguir o que quer?  Acredita que isso já se tornou algo “comum” dentro do relacionamento?
 
Tem se sentido isolada(o) dos amigos e familiares? Acredita que seu parceiro(a) contribuiu com isso? Ou seja, ele(a) te impede de estar com seus amigos e familiares por ciúmes?
 
Seu parceiro(a) usa da chantagem como forma de te convencer a fazer coisas que você não quer fazer?
 
Fica com aquele sentimento de que é explorada(o) o tempo todo pelo seus parceiro(a)?
 
 

Violência sexual

 
Somo levados a entender violência sexual apenas quando há estupro, porém, não é bem assim, a violência sexual pode acontecer, e, infelizmente acontece num âmbito muito mais amplo, nem sempre devidamente rotulado com o peso de uma violência sexual, e muitas vezes ela vem abrandada e suavizada com o nome de assédio sexual, e sim, assédio sexual é sim uma violência sexual, não vou entrar no mérito conceitual entre as palavras violência e assédio, se você tiver dúvidas, experimente perguntar para alguém que já sofreu com assédio, se ela se sentiu violentada ou não.
 
O objetivo é fazer você refletir, lá vai mais algumas perguntas.
Ah, não esquece de dar aquele um minutinho de reflexão!


Você se sente pressionada(o) a ter relações sexuais com seu parceiro(a) mesmo quando não tá afim? Se sim, porque você acha que isso acontece?
 
Seu parceiro(a) já se comportou de forma agressiva (física ou verbalmente) quando você se negou a ter relações sexuais?
 
Seu parceiro(a) fica te tocando como se o seu corpo pertencesse a ele(a), em situações e momentos  inapropriados e contra sua vontade?
 
Fica com o sentimento de estar só sendo usada(o) sexualmente pelo seus parceiro(a)?
 
Quando se nega a ter relações sexuais, seu parceiro(a) se masturba ao seu lado? Se sim, já se sentiu desrespeitada(o) com tal atitude?
 
Aconteceu de você ter tido práticas sexuais das quais não consentia apenas para satisfazer os desejos de seu parceiro(a)? Se sim, para que você fez isso?
 
 

Violência Física

 
Na boa, violência é violência, não podemos abrandar. O problema é que muitas pessoas só conseguem perceber que estão em uma relação abusiva quando há violência física, pois, torna a violência visível, e difícil de disfarçar. É nesse estágio que os questionamentos de amigos e familiares se tornam mais ostensivos e incisivos.
 
A violência física não tem sutileza, não dá para dizer que não ocorreu, deixa marcas, e em geral ela vem acompanhada de todas as outras formas de violência, uma espécie de combo de abuso.
           

Violência moral + violência sexual + violência física

Violência moral + violência física

Violência moral + violência patrimonial (quando quebram as suas coisas) + violência física

 
Note que a violência moral está presente em todas elas, tudo começa quando o casal rompe e perde com o limite do respeito, porque respeito é uma forma de limite, e limite protege.
 

E agora?

 
Acredito que a esta altura, após algumas reflexões, alguns dos que leem podem estar se questionando sobre o relacionamento que estão vivendo, e isso é bom.
Se você percebeu que existem alguns pontos da sua relação que estão se tornando abusivas, e que você se reconhece vivenciando situações de violência moral, bom, convide seu parceiro(a) para uma boa conversa - aquela boa e velha DR - e tentem estabelecer limites claros para ambos do que precisa ser respeitado.
 
Agora, para você, que após algumas reflexões, percebeu que em seu relacionamento a violência moral se tornou comum, já sofreu de alguma forma com violência sexual e física, e, você aceita tudo isso em nome do tal amor, cuidado!! Possivelmente você é uma das “vítimas” da tal cultura de aceitação da violência, tem valores questionáveis sobre amor, ligados a um ideal romântico que funcionam muito mais como uma espécie de gaiola ideológica.
 
Não tenho dúvidas de que sua relação traz muita dor e sofrimento, e bem provável que você até tenha vontade de termina-la, mas não tem a menor ideia de como faze-lo e morre de medo de isso acontecer, principalmente se este termino partir dele(a). Certo?
 
No próximo texto vou falar sobre isso, por que é tão difícil sair de uma relação abusiva, e quais os caminhos possíveis para se chegar até lá.
 
Enquanto isso, não sofra só, busque ajuda!! Um relacionamento abusivo pode levar as pessoas a desenvolverem doenças como depressão, pânico e crises de ansiedade.

Por: Homero Yukiti Tamanaha | 02/05/2018

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