Psicólogos Bela Vista

/psicologosbelavista
11 99753-8248

Posts do Blog

Dependência Química

Apesar de ser um tema muito importante e muito comentado em nosso cotidiano, ainda é comum ver pessoas tratando desta doença como se fosse um problema exclusivamente de ordem moral - uma percepção equivocada, superficial, que não corresponde à realidade e que em nada ajuda o dependente a sair dessa condição. Aliás, na maioria dos casos, o efeito desse olhar é contrário: quando esses pacientes recebem um rótulo negativo, frequentemente se apropriam daquilo e passam a agir mais livremente dentro dos rótulos que lhes foram dados.
 
Este texto tem apenas o objetivo de oferecer uma percepção mais adequada sobre o tema em questão; e para isso, em primeiro lugar, é necessário entendermos que a dependência química é uma doença. Sim, uma doença biopsicossocial, ou seja: que possui aspectos biológicos, psicológicos e sociais. E por se tratar de uma doença, logo podemos concluir que a pessoa acometida por ela, precisa, antes de tudo, de um bom tratamento. Sim, de tratamento! Não de castigo e nem de punições. Hoje existem diversos modelos de tratamento, e essa diversidade é importante porque nenhum modelo é totalmente efetivo para todos os pacientes, portanto é fundamental que o paciente se identifique com o modelo em que está inserido.
 
Uso, abuso ou dependência?
 
Outro fator importante a ser comentado aqui, é sobre a diferença entre o uso, o abuso e a dependência química. São três padrões diferentes e que são frequentemente confundidos por muitos.
O uso é uma experiência quase que universal. Praticamente todo mundo já o fez em algum momento da vida, nem que tenha sido para experimentar somente, e aqui me refiro também às drogas lícitas, como o álcool e o tabaco. No uso muitos só experimentam e não continuam. Muitos outros, porém, continuam neste padrão: fazendo o uso “social” sem sofrer nenhum ou quase nenhum tipo de consequência por conta disso.
Dos que continuaram no padrão de “uso”, muitos podem passar para o padrão do “abuso”. Esse novo padrão é identificado quando o uso se torna mais frequente, em maior quantidade, e quando o abusador passa a experimentar alguns prejuízos sociais decorrentes deste novo padrão: queda do desempenho escolar; faltas, atrasos constantes e diminuição da produtividade no trabalho; conflitos familiares; etc.
Desses que evoluíram ao padrão de “uso abusivo”, muitos podem se tornar dependentes, e a dependência é caracterizada por diversos sinais e sintomas. Os mais comuns são: sintomas de abstinência quando o uso é interrompido; perda da capacidade de controlar ou parar de usar; necessidade de aumentar a quantidade da substancia para ter o mesmo efeito que tinha com menores quantidades; prejuízos sociais, psicológicos e clínicos decorrentes do uso; entre outros.
 
Quando pedem ajuda?
 
Em minha experiência clínica percebo que a maioria dos pacientes com esse problema só chega ao ponto de pedir ajuda em três ocasiões: quando são pressionados por alguma pessoa próxima ou por alguma situação social que pode acarretar em alguma perda; ou quando já acumularam muitos prejuízos decorrentes do uso, sejam eles sociais, emocionais, ou até mesmo clínicos.
É como se precisasse existir uma equação onde os prejuízos superam o benefício do prazer proporcionado pela droga - e é quando chegam neste ponto que os dependentes encontram as maiores chances de sucesso no tratamento.
 
Fernando Romeiro - Psicólogo (CRP 06/121627)

Por: Fernando Romeiro | 28/09/2016

Últimos Artigos

Curta nossa FanPage

Ligue Agora
Quanto Custa
Marque uma Consulta
Como Chegar
Profissionais